Para se assistir de olhos fechados, já que a orquestra ainda vale o ingresso...
Agora, cenografia, direção cênica... PIADA! E os responsáveis por isso ainda têm coragem de ir ao palco do teatro ao fim da récita receber inexplicáveis aplausos. Ok, sem dinheiro não dá para esperar um produção Franco Zeffirelli, mas se há uma ópera onde a criatividade poderia tomar lugar da opulência no que tange a figurinos e cenografia, esta ópera é Fidelio. E outra coisa: criatividade não é pobreza de espírito! Definitivamente! E aquela coreografia do coro no fim... Aquele balé na cena de entrada do Pizarro... QUE PORRA ERA AQUELA???
Estou muito irritado com esse espetáculo!
Entre os cantores, eu diria que todo mundo foi mal... com exceção do Iturralde. Gostei bastante. Mas um Rocco muito bom não é suficiente para salvar um Fidelio. Sem Leonore ou Florestan, não sobra muita coisa. Eu acho que Janette Dornellas até tem voz para Leonore, mas acho que ela é vítima dos abusos que comete: a mulher já cantou Turandot, Lady Macbeth, Amneris e Elletra (do Idomeneo). Não há boa voz que se mantenha em forma assim. Agudos poderosos em fortíssimo - foi só o que vi. De resto, a única coisa que posso ressaltar é que ela deu tudo de si no Abscheulicher, irregular que só... E acho que o dueto do segundo ato com o Pierce foi o pior O namenlose Freude que alguém poderia ouvir na vida.
O teno John Pierce começou prometendo no recitativo que abre a grande ária de Florestan no segundo ato, mas ficou na promessa... o desfecho foi, no mínimo, constrangedor e de, ao invés do tenor, colocassem um manequim em seu lugar e o áudio de alguma gravação de James King antiga, eu me dava por satisfeito e ainda ia achar a melhor sacação da "encenação".
A Marzelline de McDavit não é maravilhosa, mas não é um desastre. Sua ária do primeiro ato foi cantada com bastante correção, embora a coloratura do dueto com Jacquino tenha saído completamente borrada. Aliás, foi durante a ária de Marzelline que aconteceu a única idéia boa da encenação, quando ela improvisa um vestido de noiva com os lençóis... Ao Jacquino de Attala Ayan, faltou um pouco mais de projeção em certos momentos, mas esse tenor, sem dúvida, tem qualidades óbvias que o fazem uma grande promessa para o futuro... Isso se houver espetáculo para ele cantar, já que o que mais há aqui é cancelamentos. Já Sebastião Teixeira, eu acho que é o mesmo caso de Dornellas. A voz em si, parece talhada para o personagem, mas não há disciplina ou consistência no que ele faz, portanto, no fim, ele não deixa uma impressão forte.
E eu que paguei R$ 70,00 por isso... Devia ter investido na compra de um DVD! :P



